"Le Promeneur Solitaire"

segunda-feira, 17 de abril de 2017

As ambições e inquietudes da Maison de Rousseau et de la Littérature

por Carmem Toledo

A MRL - Maison de Rousseau et de la Littérature (Casa de Rousseau e da Literatura) seria motivo de preocupação para nosso filósofo genebrino. Seus promotores reuniram quase 5 milhões para a reforma de seu edifício, mas sua subvenção ainda não foi votada. O que acontece? No artigo abaixo, que escrevi com base em uma matéria publicada no site Le Temps, tentarei esclarecer:

O Espaço de Rousseau e a Casa da Literatura foram transformados em um único projeto em 2012. A MRL é o coração do festival “A Paixão de Ler”, popular em Genebra, que organiza ciclos de conferências onde é possível ouvir autores diversos. De acordo com Manuel Tornare (presidente da Fundação da MRL), existe a ambição de tornar a casa mais atraente, implantando novas atividades, um café, debates mais frequentes. Pretendem também - com o apoio de uma fundação - reservar um espaço no sótão para a residência de escritores refugiados. O problema é que os deputados do conselho responsável por votar essa concessão parecem contrários a esses planos - talvez, pela transferência de determinadas despesas culturais, incluindo a política do livro, para o distrito, ou por motivos políticos, já que os deputados liberais se inquietariam sobre a concorrência que a MRL representaria à Sociedade de Leitura, situada na mesma rua.

Diante desta recusa em apoiar a MRL, a Conselheira de Estado Anne Emery-Torracinta argumenta que a ajuda deveria ser ampliada através de realocações dentro do departamento, sem pedir dinheiro extra por isso. Para ela, o projeto da MRL é exemplar por ser um espaço de mediação para promover o livro nas escolas e por representar parte do dispositivo de apoio ao livro para o mundo.

Todos os trabalhos estão suspensos atualmente, aguardando a votação favorável à reforma.

A importância da 
Maison de Rousseau et de la Littérature é notável, sobretudo do ponto de vista dos rousseauístas e de todos aqueles que se dedicam à produção cultural e a projetos de incentivo à leitura. Seria interessante se esses esforços assinalados por Torracinta fossem sentidos mais energicamente em outros cantos do mundo - como aqui no Brasil, por exemplo. O que se nota é uma certa relutância, por parte da política em geral, em considerar com mais afinco e urgência as questões relacionadas à cultura, sobretudo quando se fala em projetos que envolvam refugiados e ações benéficas em outros países. É claro que existem vários empreendimentos culturais espalhados em muitos lugares, o que é importantíssimo para a compreensão de diferentes realidades e a união dos povos, mas acredito que nossa época e as questões em voga nos deem muitos motivos para apressar iniciativas que envolvam a difusão de informações, a valorização da leitura e, sobretudo, o apoio aos autores do mundo todo.

Carmem Toledo
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